Entenda o linfoma não Hodgkin, câncer que causou morte de Netinho

Linfoma não Hodgkin: entenda sintomas, tipos e tratamento

Brasil

A recente morte do cantor Netinho, aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin tipo B, trouxe atenção para essa enfermidade oncológica que se origina no sistema linfático. Trata-se de um tipo de câncer hematológico que compromete a rede de vasos, gânglios e órgãos responsáveis pela defesa do organismo, como o baço e as amígdalas.

Como surge o linfoma e quais são seus subtipos

O sistema linfático conduz a linfa, um fluido composto por glóbulos brancos conhecidos como linfócitos, essenciais no combate a infecções. Quando essas células de defesa sofrem mutações genéticas, passam a se multiplicar desordenadamente, concentrando-se principalmente nos gânglios linfáticos (linfonodos) localizados em regiões como pescoço, axilas e virilha.

Cerca de 85% dos diagnósticos correspondem a tumores com origem nos linfócitos B, categoria que incluía a condição do cantor. Existem ainda variações que afetam as células T e as células NK (natural killer), ambas menos frequentes.

No caso de Netinho, o quadro envolvia uma variante ainda mais rara e agressiva: o linfoma plasmoblástico. Segundo a hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, essa manifestação específica surge habitualmente em indivíduos imunossuprimidos e apresenta menor probabilidade de cura, exigindo abordagens terapêuticas complexas.

Projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil deve registrar 10.180 ocorrências inéditas de linfoma não Hodgkin este ano, distribuídas entre 5.370 homens e 4.810 mulheres.

Sintomas mais comuns e manifestações graves

O aumento indolor dos gânglios linfáticos costuma ser a primeira manifestação perceptível. No entanto, o quadro clínico varia conforme a velocidade de evolução do tumor e o subtipo diagnosticado.

Entre os sinais clássicos de alerta estão:

  • Febre persistente sem infecção aparente;
  • Sudorese noturna excessiva;
  • Emagrecimento involuntário e inexplicável;
  • Cansaço extremo e fadiga constante.

Em alguns casos, o paciente pode apresentar manchas avermelhadas na pele, coceira generalizada, tosse crônica, náuseas, vômitos e desconforto abdominal. Formas agressivas da doença podem ainda desencadear falta de ar, dores nos membros ou no abdômen, perda de força muscular e episódios de confusão mental.

Fatores de risco conhecidos

Embora a causa exata das mutações celulares ainda não seja totalmente compreendida pela ciência, diversos elementos elevam a probabilidade de desenvolvimento da enfermidade. Idade avançada, sexo biológico e quadros de imunossupressão ou doenças autoimunes estão entre os principais fatores.

Além da exposição a substâncias químicas tóxicas e radiação, determinados agentes infecciosos apresentam relação direta com o surgimento do câncer, incluindo a bactéria Helicobacter pylori e vírus como o Epstein-Barr, o HIV e o HTLV.

Diagnóstico e estadiamento da doença

A confirmação laboratorial exige a realização de biópsia de linfonodo, podendo ser complementada por punção de medula óssea e exames de imagem avançados, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT.

Após a identificação, a patologia é classificada em quatro estágios clínicos:

  • Estágio I: o tumor está restrito a uma única região de linfonodos ou a um único órgão;
  • Estágio II: comprometimento de duas ou mais áreas ganglionares situadas no mesmo lado do músculo diafragma;
  • Estágio III: a proliferação atinge gânglios em ambos os lados do diafragma (superior e inferior);
  • Estágio IV: há metástase e disseminação para órgãos não linfáticos distantes.

A nomenclatura médica utiliza ainda a letra E quando há extensão para estruturas extralinfáticas e a letra S caso o baço seja comprometido.

Abordagens terapêuticas e inovações

O planejamento do tratamento depende da condição clínica geral do indivíduo e do estágio do tumor. As alternativas convencionais abrangem protocolos de quimioterapia, radioterapia, imunoterapia com anticorpos monoclonais e o transplante de medula óssea (células-tronco).

Recentemente, a medicina oncológica deu passos expressivos no combate ao linfoma de células B com a introdução da terapia celular. Recursos inovadores atuam estimulando o próprio sistema de defesa do corpo a combater as células malignas.

Entre as estratégias modernas voltadas para pacientes que não respondem à primeira linha de tratamento destacam-se os anticorpos biespecíficos e a terapia com células CAR-T, que reprograma geneticamente os linfócitos do próprio paciente para neutralizar a doença.

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