Fim da escala 6×1: Alcolumbre define data para votação no Senado e proposta pode mudar jornada de trabalho no Brasil

Fim da escala 6×1: Senado votará PEC no dia 14 de outubro

Brasil

O plenário do Senado Federal já tem data marcada para apreciar a proposta que pode transformar a rotina de trabalho no país. O presidente do Legislativo, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), confirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 será colocada em votação na próxima quarta-feira, 14 de outubro. A matéria visa extinguir o modelo em que o profissional atua seis dias seguidos para ter apenas uma folga, garantindo dois dias de repouso remunerado por semana sem qualquer redução nos salários.

Como funcionará a redução de jornada e o período de transição

De autoria inicial do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), o projeto propõe encolher o teto da carga horária de 44 para 40 horas semanais, assegurando que o descanso ocorra preferencialmente aos domingos. Para evitar choques bruscos na operação das empresas, a medida não entrará em vigor de forma imediata e prevê uma fase de adaptação distribuída em 14 meses.

O cronograma estabelecido pelo texto está dividido em duas etapas:

Primeira etapa: decorridos dois meses após a eventual promulgação da emenda, o limite semanal desce de 44 para 42 horas, já incorporando os dois dias de repouso.
Segunda etapa: após um intervalo adicional de 12 meses, a carga atinge o patamar definitivo de 40 horas semanais.

Quórum qualificado e trâmite legislativo

Por se tratar de uma alteração na Constituição, o texto precisa cumprir um rito rigoroso. São necessários ao menos 49 votos favoráveis — o equivalente a três quintos dos 81 senadores — em dois turnos de deliberação. Antes do início da votação em primeiro turno, a Casa precisa encerrar cinco sessões de discussão, processo que começou na terça-feira, 6 de outubro.

A matéria já obteve aval dos deputados federais em dois turnos no dia 27 de maio e recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro. Caso seja ratificada pelos senadores sem modificações no mérito, a emenda será promulgada pelo Congresso Nacional; qualquer alteração no texto exigirá que ele retorne à Câmara dos Deputados.

Setor produtivo alerta para custos e oposição defende flexibilidade

A perspectiva de mudança gera apreensão entre entidades empresariais e parlamentares ligados ao setor produtivo. Representantes do empresariado chegaram a solicitar a Alcolumbre um estudo técnico aprofundado e pediram o adiamento do debate para depois do período eleitoral, temendo elevação de despesas operacionais e dificuldades no gerenciamento de turnos ininterruptos.

Na CCJ, o senador Rogério Marinho (PL-RN) manifestou contrariedade à imposição de uma regra única pela Carta Magna, argumentando que as particularidades de cada atividade econômica deveriam ser respeitadas por meio de negociações diretas entre patrões e empregados. Em contrapartida, defensores da proposta sustentam que o aumento do descanso proporciona qualidade de vida e impulsiona a produtividade.

Articulação partidária movimenta o Senado

O tema também reflete o xadrez político que cerca a disputa presidencial de 2026. A base aliada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressiona pela aprovação célere. A líder governista na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), articula para concluir os dois turnos antes do segundo turno das eleições presidenciais, previsto para 25 de outubro — iniciativa criticada por Marinho como oportuna ao calendário eleitoral.

Entre outros nomes de destaque, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, indicou ser a favor do debate sobre a jornada, mas prefere formatos mais flexíveis. Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG), governador eleito de Minas Gerais, adiantou apoio explícito à extinção da escala 6×1, destoando de parte de seus correligionários.

Com posições antagônicas e promessa de independência para a bancada dada por Alcolumbre, o Senado caminha para uma das votações trabalhistas mais decisivas dos últimos anos, equilibrando direitos sociais e sustentabilidade econômica.

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