O mercado financeiro brasileiro encerrou a primeira semana após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 com movimentos expressivos. Em uma reação direta ao cenário eleitoral, o dólar despencou para a faixa de R$ 4,98, registrando o recuo semanal mais intenso para este período em mais de três décadas, enquanto o Ibovespa superou a marca histórica dos 209 mil pontos.
Ibovespa supera 209 mil pontos e atinge máxima histórica
O principal índice acionário da B3 avançou 1,38% na sexta-feira, 9 de outubro, encerrando as negociações em 209.066,90 pontos. Trata-se do maior patamar de fechamento já registrado na história da Bolsa de Valores brasileira. Durante o pregão, o indicador chegou a atingir o pico intradiário de 209.713,45 pontos, após registrar mínima de 206.237,55 pontos no mesmo dia.
O avanço das ações reflete uma reprecificação de ativos por parte dos investidores, que projetam maior rentabilidade corporativa e um ambiente de negócios mais favorável para os próximos anos, embora ganhos no mercado acionário não se convertam de forma imediata em melhora econômica direta para toda a população.
Desvalorização semanal do dólar é a maior em três décadas
No câmbio comercial, a divisa norte-americana acumulou uma perda expressiva de 4,43% em apenas cinco sessões, saindo do patamar de R$ 5,21 para R$ 4,985 no fechamento de sexta-feira, dia em que recuou 0,79%. Este tombo semanal representa o movimento de baixa mais acentuado após um primeiro turno presidencial desde a implementação do Plano Real, em 1994.
Resumo das oscilações da moeda americana
- Fechamento na sexta-feira: R$ 4,985 (-0,79%)
- Cotação máxima do dia: R$ 5,009
- Cotação mínima do dia: R$ 4,976
- Desempenho acumulado na semana: queda de 4,43%
- Variação no mês de outubro: recuo de 3,67%
- Desvalorização acumulada em 2026: baixa de 9,19%
O alívio na cotação cambial fortalece a moeda nacional e pode contribuir para diminuir os custos com importações e insumos industriais, com potencial de amenizar pressões inflacionárias ao longo do tempo, a depender do comportamento dos custos de produção e da tributação interna.
Pesquisas eleitorais influenciam o sentimento dos investidores
A volatilidade positiva observada nos ativos financeiros acompanhou os números da corrida presidencial para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos (cerca de 56,1 milhões de votos), enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 45,16% (aproximadamente 53,9 milhões de votos).
Na sequência, levantamentos de intenção de voto apontaram liderança do candidato do PL, fator que acelerou o ajuste de posições no mercado. Divulgada em 8 de outubro, a pesquisa Datafolha indicou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Já a sondagem AtlasIntel/Bloomberg, publicada no dia seguinte, mostrou o senador com 52,8% ante 47,2% do atual mandatário.
Expectativas fiscais e reformas estruturais para 2027
A precificação dos agentes econômicos baseia-se na perspectiva de diretrizes de cunho liberal a partir de 2027 em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Ganham destaque nas análises temas como contenção de despesas públicas, sustentabilidade da dívida em relação ao PIB e atração de capital estrangeiro.
Entre as pautas ventiladas pelo mercado estão novas rodadas de discussões sobre reformas administrativa e previdenciária, medidas que dependerão de articulação com o Congresso Nacional. Agentes financeiros também projetam que uma eventual ancoragem das expectativas de inflação poderia abrir espaço para cortes na taxa básica de juros (Selic) definida pelo Banco Central.
Apesar da euforia pontual e dos números históricos registrados na B3 e no câmbio, analistas ressaltam que o comportamento dos mercados nas semanas seguintes continuará atrelado tanto à dinâmica da campanha eleitoral quanto a fatores macroeconômicos globais e aos indicadores de inflação.
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