A aproximação do segundo turno das eleições presidenciais acelerou a volta dos estudantes aos protestos de rua em diversas capitais brasileiras. Organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), centros acadêmicos e grêmios secundaristas, a juventude tem ocupado espaços públicos em defesa da democracia, da soberania nacional e da expansão do orçamento para o ensino público superior.
Defesa da universidade pública no centro do debate
Os atos se espalharam por cidades como Rio de Janeiro, Niterói e Brasília após o resultado do primeiro turno. A liderança do movimento juvenil posiciona a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a alternativa necessária para assegurar o investimento no setor e impedir o que classificam como retrocessos sociais e institucionais.
De acordo com a presidente da UNE, Bianca Borges, o cenário eleitoral coloca em risco conquistas históricas da comunidade acadêmica. Graduada em Direito pela USP e aluna de Letras no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a dirigente de 25 anos relembra que o engajamento da juventude sempre esteve atrelado a momentos de inflexão democrática, desde a resistência à ditadura militar e a campanha Diretas Já até manifestações recentes.
Propostas de governo dividem o setor educacional
A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) desperta forte oposição entre as entidades estudantis. Uma das medidas mais criticadas pelo movimento é a intenção do senador de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), sob a justificativa de aproximá-las do setor produtivo privado.
A categoria argumenta que o MCTI dispõe de um orçamento consideravelmente menor que o MEC e que a medida visa subordinar o tripé ensino-pesquisa-extensão exclusivamente aos interesses do mercado. O plano de governo do candidato também contempla o fortalecimento das escolas cívico-militares, a aproximação do ensino técnico com empresas privadas e a manutenção dos pisos constitucionais de investimento na área.
Em paralelo à disputa nas ruas, a campanha de Flávio Bolsonaro ingressou com pedido na Justiça Eleitoral para suspender publicações de 54 dirigentes sindicais e de movimentos sociais nas redes, incluindo líderes da UNE. A solicitação, no entanto, foi negada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pautas prioritárias e desafios da juventude
Além da disputa eleitoral, as lideranças acadêmicas listam reivindicações emergenciais que pretendem manter na pauta política independentemente de quem assuma a chefia do Poder Executivo.
Permanência e assistência estudantil
Entre as reivindicações estruturantes estão o fortalecimento do Plano Nacional de Assistência Estudantil, com verbas suficientes para garantir a permanência de universitários de baixa renda, o repasse de recursos federais para universidades estaduais por meio de proposta de emenda constitucional e a destinação de 10% do PIB para a educação pública.
Conexão com a classe trabalhadora
O movimento também tem articulado demandas gerais da juventude e dos trabalhadores, destacando bandeiras como o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação de programas de transferência de renda como o Pé-de-Meia no ensino médio. As lideranças reforçam que a mobilização popular continuará ativa nas salas de aula e nas ruas após a votação para assegurar o cumprimento dos compromissos firmados.
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