Durante sua passagem por Washington, nos Estados Unidos, o presidente da Argentina, Javier Milei, teceu duras críticas a Luiz Inácio Lula da Silva ao chamá-lo de “ditador comunista” e declarou abertamente seu apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A fala ocorreu durante a cerimônia do Hispanic Heritage Gala, promovida pela Latino Wall Street Foundation, onde o libertário demonstrou plena convicção de que o parlamentar brasileiro sairá vitorioso no segundo turno da disputa eleitoral de 2026.
Discurso contundente e críticas à esquerda latino-americana
Diante de uma plateia internacional formada por representantes da comunidade hispânica, Milei associou a gestão petista aos ideais de Fidel Castro e à fundação do Foro de São Paulo, organização concebida na década de 1990. Ao classificar Flávio Bolsonaro como um amigo pessoal, o líder argentino apontou o senador como a liderança capaz de derrotar o atual governo e promover uma guinada liberal no país vizinho.
O posicionamento reafirma a oposição ferrenha do mandatário argentino aos modelos econômicos orientados por maior intervenção do Estado, reforçando sua proximidade ideológica com os movimentos conservadores da América do Sul.
Manifestação a favor de Jair Bolsonaro e presença de Eduardo no palco
A cerimônia na capital norte-americana também foi marcada por homenagens. Ao ser condecorado com o Hispanic Heritage Leadership and Global Impact Award, Milei estendeu sua fala para prestar solidariedade a Jair Bolsonaro. O governante vizinho avaliou o encarceramento do ex-mandatário brasileiro como um ato injusto decorrente de perseguição política.
Presente no evento, o deputado federal Eduardo Bolsonaro subiu ao palco para saudar o argentino com um abraço. Em sua manifestação, o parlamentar ressaltou o papel dos governos de direita no continente, afirmou sentir orgulho da trajetória paterna e sustentou que um triunfo de seu irmão nas urnas representaria a via para reverter o quadro judicial de Jair Bolsonaro.
Aliança estratégica consolidada em encontros anteriores
A sintonia pública entre Milei e o clã Bolsonaro não é inédita e vem sendo desenhada ao longo dos últimos meses. Em julho, o presidente argentino marcou presença na convenção partidária do PL que oficializou o nome de Flávio na disputa ao Executivo, oportunidade em que questionou decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relativas a impedimentos de visitas ao ex-presidente.
O diálogo entre as lideranças inclui ainda reuniões bilaterais prévias, como a realizada em junho durante evento da Fundação Aliados de Israel, em Buenos Aires. Meses depois, o chefe da Casa Rosada reiterou essa postura ao compartilhar publicações favoráveis ao senador no primeiro turno do pleito e defender reformas estruturais pró-mercado para o Brasil em entrevista à imprensa internacional.
Reflexos nas relações exteriores entre Brasil e Argentina
O engajamento direto de um líder estrangeiro na corrida eleitoral brasileira amplia a visibilidade externa do pleito e indica caminhos opostos para o futuro da diplomacia regional. Enquanto a vitória de Flávio Bolsonaro sinalizaria um alinhamento econômico e diplomático imediato com a Casa Rosada, a permanência da atual gestão petista mantém o distanciamento ideológico entre os dois maiores parceiros do Mercosul.
A despeito da forte repercussão além das fronteiras, a definição sobre os rumos políticos da nação permanece restrita à soberania e à decisão final dos eleitores nas urnas.
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