Fim da escala 6×1 pode provocar demissões, inflação e prejuízo de R$ 267 bilhões, alerta CNI

Fim da escala 6×1 pode gerar rombo de R$ 267 bi, alerta CNI

Brasil

A possível extinção da escala de trabalho 6×1 no Brasil pode gerar uma sobrecarga financeira de R$ 267,2 bilhões ao setor produtivo e provocar uma retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB). O diagnóstico foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que manifestou forte preocupação com o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 no Senado Federal.

Impacto bilionário no PIB e pressão inflacionária

O texto legislativo busca diminuir o limite constitucional da jornada de 44 para 40 horas semanais, inviabilizando o regime de seis dias de trabalho por um de folga. De acordo com as projeções econômicas da CNI, a redução de horas sem o correspondente ajuste salarial eleva de forma imediata o custo da mão de obra por hora, o que pode causar perdas calculadas em R$ 76,9 bilhões na riqueza nacional.

Além de frear o crescimento do país, o relatório adverte que parte relevante desse aumento operacional tende a ser repassada aos preços finais. Estima-se um avanço médio de 6,2% na inflação ao consumidor, com reflexos diretos em setores essenciais para as famílias de menor renda.

Previsão de aumentos por categoria de consumo

As simulações apresentadas pela entidade indicam que a nova configuração de custos pode encarecer diferentes segmentos do varejo e da indústria:

Itens de supermercados podem registrar reajuste médio de 5,7%; produtos industrializados têm previsão de alta de 6,0%; e o setor de vestuário e calçados pode sofrer acréscimos de até 6,6%. A entidade pontua, no entanto, que os valores dependem de variáveis de mercado, como capacidade de absorção das margens pelas empresas e nível de concorrência.

Ameaça ao emprego e perda de competitividade

Outro ponto crítico destacado pelas lideranças industriais envolve a sustentabilidade dos postos de trabalho. Em um cenário já marcado por juros elevados e alta carga tributária, a imposição de novos encargos operacionais pode forçar companhias a realizarem demissões e perderem espaço frente a concorrentes internacionais.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, fez duras críticas ao avanço da pauta no parlamento durante o período eleitoral. Para o dirigente, a matéria avançou sem debates aprofundados sobre suas consequências macroeconômicas, gerando insegurança jurídica em um momento em que o país precisa resolver entraves crônicos de produtividade antes de encarecer a folha de pagamento.

Reestruturação produtiva e o abismo entre pequenos e grandes negócios

A alteração na escala demandará uma reorganização severa nas operações com funcionamento ininterrupto ou em múltiplos turnos. Para manter os atuais níveis de fabricação e atendimento, os empregadores teriam que recorrer a novas contratações, implementar processos de automação ou encurtar os horários de operação.

Essa equação, segundo analistas do setor, tende a ser especialmente dolorosa para micro e pequenas empresas, que possuem capacidade financeira restrita para absorver elevações repentinas nas despesas trabalhistas, diferentemente das grandes corporações com maior margem de investimento.

Apesar da tramitação no Senado, a emenda constitucional ainda precisa percorrer todo o rito legislativo antes de entrar em vigor. O embate centraliza a disputa entre os anseios de trabalhadores por mais descanso e bem-estar familiar contra as advertências do empresariado quanto à sustentabilidade econômica e à manutenção do emprego formal no país.

O que você acha deste post?

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *