Há um padrão brasileiro que se repete: dinheiro público some em festas, hotéis, contratos fantasmas e propinas, e a nação sorri. Quando chega a hora de cobrar, o alvo nunca é quem roubou. É quem não deveria estar comendo.
O Brasil é capaz de enxergar corrupção de colarinho branco como farra de rico, prejuízo de rico. Não é. É público. É do povo. Mas sai por cima como piada e chega embaixo como condenação moral.
Quem fala em moral faz convulsão. Irado. Ofendido. Invoca Deus e família, prega que “quem planta colhe”, enquanto dorme sobre um rombo de bilhões. A fé que vendem tem paciência infinita com o ladrão de colarinho branco e perde o sono por um benefício social que deixa alguém comer melhor.
O pobre pode passar fome. Isso emociona. O pobre não pode comer bem. Isso ofende. A nação sente que lhe roubaram o direito de ser superior.
Revolução não começa em palanque
Começa quando admitirmos que o dinheiro que desaparece acima saiu da mesma carne que agora chamam de gasto. Quando a fé deixar de ser arma. Quando o pobre deixar de ser inimigo de quem também não herdou nada.
Enquanto isso, o banquete segue bem servido. E a conta, como sempre, chega para quem cozinha.
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