Em sabatina, Flávio não explica propostas e faz acusações sem provas

Flávio Bolsonaro debate economia, reeleição e temas polêmicos

Brasil

O postulante ao Palácio do Planalto pelo PL, Flávio Bolsonaro, participou de uma sabatina de 40 minutos na noite desta sexta-feira (16), na qual detalhou planos fiscais, comentou investigações judiciais e explicou sua visão sobre os rumos políticos e institucionais do país.

Propostas econômicas e plano de redução de gastos

No campo da gestão pública, o parlamentar defendeu um corte superior a R$ 200 bilhões na dívida da União. Segundo o candidato, o montante seria obtido por meio da alienação de imóveis públicos atualmente sem uso. Flávio também projetou uma receita imediata de R$ 100 bilhões a partir da exploração de petróleo na Margem Equatorial — atividade que, de acordo com cronogramas da Petrobras, só deve começar a partir de 2033.

O plano de governo do senador também contempla a extinção de ao menos dez ministérios. Ao abordar a máquina pública, ele alegou que a gestão de seu pai realizou cortes severos em cargos de confiança. Levantamentos de dados oficiais, contudo, apontam trajetória oposta: as nomeações comissionadas no Executivo federal subiram de 31,8 mil em 2019 para 46,2 mil em 2022.

Fim da reeleição presidencial e mandato único

Entre as alterações constitucionais propostas pelo candidato está o fim da reeleição para a Presidência da República, medida que pretende aplicar já para o mandato seguinte, caso seja eleito. O projeto prevê ainda o impedimento para que parentes de até terceiro grau do chefe do Executivo disputem o cargo em sequência, deixando para o Congresso Nacional a definição sobre o tempo total de permanência no posto. Aos 45 anos e com 23 anos ininterruptos de vida pública, Flávio declarou não ter apego ao poder.

Visão sobre o 8 de Janeiro e composição de equipe

Questionado sobre os atos antidemocráticos ocorridos em Brasília, o senador negou que as invasões às sedes dos Três Poderes tenham configurado uma tentativa de golpe de Estado. Ele classificou como “farsa” a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão e relativizou as agressões e invasões, citando a presença de manifestantes religiosos no local.

A respeito da montagem de um eventual ministério, Flávio descartou nomear seu irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores, qualificando-o como “perseguido político”. Eduardo reside nos Estados Unidos e possui condenação judicial por coação no curso do processo, acusado de incentivar tarifas comerciais norte-americanas contra produtos brasileiros. O candidato evitou confirmar se concederia cargo no Executivo ao pai, embora já tenha declarado a intenção de lhe conceder indulto.

Segurança pública, armas e relações partidárias

Para a área da segurança, Flávio reiterou a intenção de enquadrar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, sem apresentar a operacionalização da medida. Ele também defendeu a flexibilização do acesso a armas de fogo para civis, mas evitou comentar seu apoio legislativo a propostas que retiram a marcação de lotes em cápsulas de munição das forças policiais — mecanismo utilizado para rastreamento e elucidação de crimes.

Indagado sobre a proximidade com aliados fluminenses investigados por ligação com o crime organizado, como Rodrigo Bacellar e Márcio Canella, Flávio afirmou ter sido surpreendido pelos fatos. O senador sustentou que os envolvidos têm direito à ampla defesa, mas que a lei deve ser aplicada a eventuais culpados.

Apoio à escala de trabalho e dados ambientais

Após histórico de oposição ao término da jornada 6×1, Flávio declarou ter votado favoravelmente ao projeto recém-promulgado pelo Senado. O parlamentar afirmou ter revisto sua postura após dialogar com trabalhadores e disse buscar maior flexibilidade na negociação de horários, assegurando a preservação da legislação trabalhista vigente.

No segmento ambiental, o candidato criticou a atuação do atual governo federal, declarando que o último mês de outubro bateu recordes históricos de queimadas na Amazônia. Registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entretanto, indicam que os 9.544 focos computados até 15 de outubro estão consideravelmente abaixo das marcas históricas da região.

Operações financeiras e bastidores do encontro

Durante a sabatina, o candidato foi confrontado sobre o repasse de R$ 60 milhões e o pedido de R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recursos supostamente vinculados ao financiamento do projeto audiovisual Dark Horse. Flávio afirmou que a busca por investimentos ocorreu dentro da legalidade e antes de virem a público as suspeitas de fraude no Banco Master, justificando a continuidade das cobranças financeiras.

Antes da gravação nos estúdios, Flávio participou de um almoço institucional com a cúpula da emissora, recepcionado por José Roberto Marinho e pelo vice-presidente Paulo Tonet. O encontro causou descontentamento na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, sabatinado anteriormente no mesmo espaço sem a realização de reuniões prévias com a diretoria do grupo de comunicação.

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