Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais

Eleições: abstenção de eleitores acima de 70 anos cai para 49%

Brasil

A presença da população idosa nas urnas registrou um avanço expressivo no primeiro turno das eleições de 2026. Um levantamento realizado pelo Movimento Voto 70+, com base em registros oficiais da Justiça Eleitoral, revelou que a taxa de abstenção eleitoral entre pessoas com mais de 70 anos recuou 9,7 pontos percentuais. O índice de ausência desse grupo caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no pleito atual, superando a barreira histórica da metade do eleitorado apto nessa faixa etária.

Participação expressiva em um cenário de voto facultativo

No Brasil, o voto é facultativo para cidadãos com mais de 70 anos, analfabetos e jovens de 16 e 17 anos. Mesmo sem a obrigatoriedade legal, a adesão foi significativa, contrastando com o quadro geral do país, onde a abstenção média ficou em 21,08%, totalizando cerca de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às seções eleitorais.

A presença dos idosos varia de acordo com a faixa etária detalhada, diminuindo progressivamente conforme a idade avança. Entre os eleitores com mais de 80 anos, que contam com prioridade garantida por lei nas filas, a participação ainda se mantém relevante:

  • 70 a 74 anos: 68,77% de comparecimento;
  • 75 a 79 anos: 52,23% de comparecimento;
  • 80 a 84 anos: 37,12% de comparecimento;
  • 85 a 89 anos: 24,30% de comparecimento;
  • 90 a 94 anos: 13,46% de comparecimento;
  • 95 a 99 anos: 4,34% de comparecimento.

Envelhecimento da população amplia o eleitorado idoso

O aumento do comparecimento ocorreu de forma paralela à expansão demográfica da terceira idade no país. O contingente de eleitores a partir dos 70 anos saltou de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. Quando analisado todo o grupo acima de 60 anos, o universo atinge expressivos 36,8 milhões de cidadãos.

Para analistas da longevidade, essa mobilização sinaliza que o envelhecimento populacional não significa distanciamento das decisões democráticas. Trata-se de uma geração historicamente ativa que busca manter protagonismo no rumo das políticas públicas e na escolha dos representantes.

Obstáculos e os perfis do não comparecimento

Apesar dos avanços numéricos, barreiras estruturais ainda impedem uma participação ainda mais ampla. Estudos conduzidos pelo centro de pesquisas Data8 identificaram três perfis predominantes entre os cidadãos com mais de 70 anos que deixam de comparecer às urnas:

  • Baixa autoestima política: eleitores que acreditam que o seu voto individual não tem força para mudar a realidade;
  • Sensação de descolamento: indivíduos que avaliam que os desfechos políticos não afetam mais o seu cotidiano;
  • Dificuldades de mobilidade: pessoas que manifestam interesse em participar, mas esbarram em obstáculos físicos, longas distâncias, filas e dependência de familiares ou terceiros para o deslocamento.

Incentivos e a mobilização feminina no segundo turno

Para o segundo turno, medidas institucionais e ações da sociedade civil visam diminuir ainda mais essas ausências. Um estímulo direto para os aposentados e pensionistas é a validação do voto como prova de vida automática junto ao INSS, benefício que pode ser utilizado inclusive por quem faltou à primeira etapa da votação.

Outra frente prioritária é a redução da disparidade de gênero. No pleito de 2022, 64% das mulheres acima de 70 anos se abstiveram, número dez pontos percentuais maior do que o registrado entre os homens da mesma idade. Diante disso, iniciativas focadas no público feminino têm distribuído orientações práticas para articular redes de apoio familiar, transporte e checagem de documentos, assegurando que o exercício da cidadania seja pleno em todas as fases da vida.

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