*Com informações da Assessoria de Imprensa
A produção de tabaco ainda é um bom negócio para a pequena propriedade familiar, apesar dos menores preços pagos na comercialização da safra 2025/2026, encerrada no mês de agosto deste ano. A família do produtor Volnei Timm, de Turuçu, aposta na cultura desde 2019, por se constituir em uma renda garantida para a propriedade, que também cultiva alimentos como o morango e o milho. “Estas culturas precisam ser vendidas assim que forem colhidas para evitar perdas e o fumo pode ser armazenado e vendido num momento de melhores preços”, explica o produtor.
Na propriedade de 15 hectares, sete são destinadas à agricultura. O fumo, que já chegou a 120 mil pés cultivados, alcança hoje 80 mil, de três variedades diferentes, fornecido a quatro empresas. A lavoura deste ano está com 38 dias de plantio e em bom desenvolvimento. As primeiras folhas devem ser colhidas com 90 a 100 dias, por volta de 15 de dezembro. A aposta é de colher um tabaco de qualidade, com uma remuneração melhor do que o ano passado. “A colheita é a fase mais difícil pois exige a contratação de mão de obra, que além de cara, está escassa”, revela.
Dados se mantém dentro da margem
Segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Turuçu colheu na última safra 1.378 toneladas de tabaco. A área plantada foi de 581 hectares e envolveu 322 famílias produtoras. Na região, os municípios de Canguçu com área de 11 mil hectares e São Lourenço do Sul com nove mil hectares são considerados os maiores produtores de tabaco do Brasil, tanto em área como em número de famílias dedicadas ao cultivo. A Afubra deve divulgar em novembro a área estimada de plantio da safra 2026/2027.
Na zona sul, a produção de tabaco se encontra na fase de transplante de mudas para as áreas definitivas, na maioria das propriedades produtoras, aproveitando a ótima umidade nos solos, informa a Emater Regional em seu informativo conjuntural. Segundo o levantamento, 80% das lavouras de tabaco da região, já estão transplantadas. A sequência de noites frias — ocorridas no mês de outubro — provocam o desenvolvimento lento das plantas. Os produtores que ainda não iniciaram o plantio seguem o manejo nos canteiros de mudas, no sistema de floating, preparando e mantendo as mudas prontas para transplantes em períodos mais favoráveis.
Em 2025/2026, a safra sul-brasileira de tabaco fechou em 710.229 toneladas, considerando a produção conjunta do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e os três tipos de tabaco cultivados: Virgínia, Burley e Comum. O resultado representa redução de 1,3% em relação às 719.891 toneladas produzidas na safra 2024/2025.
Do volume total, 639.471 toneladas são de tabaco Virgínia, com redução de 1,3% na comparação com a safra anterior. O Burley somou 60.089 toneladas, crescimento de 0,8%, enquanto o Comum chegou a 10.669 toneladas, redução de 11,6%. O tipo Virgínia é o mais cultivado e representa cerca de 90% da produção sul-brasileira.
Os números divulgados pela Afubra, no final do mês de agosto, foram obtidos por meio de pesquisas realizadas junto aos produtores de tabaco. A área cultivada no Sul do Brasil passou de 309.982 para 308.932 hectares, recuo de 0,3%. O número de famílias produtoras diminuiu de 138.020 para 135.972, redução de 1,5%, enquanto o número de estufas passou de 160.912 para 160.157, queda de 0,5%. A produtividade média sul-brasileira ficou em 2.299 kg/ha, 1% abaixo dos 2.322 kg/ha registrados na safra anterior.
A análise da Afubra aponta que a safra apresentou comportamento heterogêneo entre as regiões produtoras. Em diversas áreas, as lavouras tiveram bom desenvolvimento vegetativo, sanidade adequada e resposta favorável às chuvas ocorridas em momentos importantes do ciclo. Em outras, frio prolongado, geadas, excesso de umidade, ventos, chuvas intensas, granizo e períodos de estiagem comprometeram parcialmente o rendimento, a uniformidade e a qualidade do produto.
Para o presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, o resultado geral deve considerar as diferenças regionais. “Foi uma safra bastante heterogênea. Tivemos regiões com bom desenvolvimento das lavouras e condições favoráveis em momentos importantes, mas também áreas prejudicadas por diferentes eventos climáticos. Por isso, a realidade não foi a mesma para todos os produtores”, destaca.
A qualidade também variou conforme a posição da folha na planta e o período de colheita. Em várias localidades, o tabaco de baixo pé apresentou maior incidência de folhas verdes, escuras ou de menor valor comercial, enquanto as folhas de meio pé e ponteira, quando colhidas em condições favoráveis e no estágio adequado de maturação, alcançaram melhor padrão de qualidade.
O Rio Grande do Sul colheu 286.603 toneladas, redução de 5,5% em relação ao ciclo anterior. O estado respondeu por 40,4% da produção sul-brasileira. A área cultivada chegou a 132.076 hectares, aumento de 0,2%, enquanto o número de famílias produtoras caiu 2,1%, para 67.815. A produtividade média recuou 5,7%, passando de 2.302 para 2.170 kg/ha.
Comércio enfrenta desafios
A comercialização ocorreu de forma mais desafiadora que no ciclo anterior. As compras começaram gradualmente, com movimentações pontuais ainda no final de 2025, e ganharam maior abrangência a partir de janeiro de 2026.Os tabacos de melhor qualidade, especialmente os mais claros, bem curados e provenientes do meio pé e da ponteira, encontraram maior aceitação. Já produtos mais finos, manchados, verdes, escuros ou com menor definição de classe tiveram maiores dificuldades de enquadramento e comercialização.
Ao longo da safra, aumentaram os relatos de insatisfação com os preços e os critérios de classificação. Em algumas regiões ocorreram cancelamentos de cargas, devoluções de produto às propriedades e retenção de parte da produção nos paióis, na expectativa de melhores condições de mercado. No Burley, a elevada oferta, as incertezas do mercado internacional e as questões tarifárias relacionadas às exportações para os Estados Unidos contribuíram para uma postura mais seletiva por parte das empresas.
A Afubra, em conjunto com as Federações da Agricultura e dos Trabalhadores Rurais dos três estados do Sul, realizou visitas às unidades de compra das empresas fumageiras para acompanhar a comercialização, observar os critérios de classificação, verificar os preços praticados e fortalecer o diálogo entre produtores, entidades e empresas. As dificuldades também motivaram mobilizações de produtores em diferentes regiões. A principal ocorreu em 25 de maio de 2026, em Santa Cruz do Sul, reunindo fumicultores, lideranças sindicais e entidades representativas.
O preço médio sul-brasileiro ficou em R$ 18,07/kg, redução de 10,8% em relação aos R$ 20,25/kg registrados na safra anterior. Por tipo, os valores médios foram de R$ 18,45/kg para o Virgínia, R$ 14,91/kg para o Burley e R$ 13,05/kg para o Comum.
A receita bruta dos produtores do Sul do Brasil totalizou R$ 12,835 bilhões, redução de 11,9% em relação aos R$ 14,575 bilhões da safra 2024/2025. Deste total, o Rio Grande do Sul respondeu por R$ 5,071 bilhões. “A produção teve uma redução pequena, mas a queda no preço médio se refletiu diretamente na receita do produtor. Além disso, foi uma comercialização difícil em diversas regiões, com insatisfação em relação aos preços e aos critérios de classificação. Esse conjunto de fatores teve impacto importante sobre a renda das famílias produtoras”, afirma Drescher.
Safra 2026/2027 exige cautela
A safra 2026/2027 inicia em um cenário que exige atenção. Apesar das dificuldades enfrentadas na comercialização do ciclo anterior, os relatos indicam que, em muitas regiões, a área plantada tende a permanecer em patamar semelhante. A instabilidade observada em outras atividades agropecuárias, especialmente na produção de grãos e leite, contribui para a manutenção do interesse pelo tabaco. Também se observa a antecipação do plantio em determinadas regiões, o que aumenta a exposição das lavouras a geadas, frio intenso, excesso de umidade e dificuldades no desenvolvimento inicial.
A Afubra reforça a importância de decisões prudentes, considerando a capacidade de cura, a mão de obra, os custos de produção, as condições climáticas e o comportamento do mercado. “Depois de uma safra com dificuldades de comercialização e redução no preço recebido, é fundamental buscar maior equilíbrio entre oferta e demanda. O produtor precisa dimensionar a lavoura de acordo com a realidade da propriedade e priorizar a produção de tabaco de qualidade, preservando a sustentabilidade da atividade e a sua rentabilidade”, finaliza.
Abertura da safra
A oitava edição da Abertura da Colheita do Tabaco será realizada na tarde do dia 6 de novembro, no município de Vera Cruz. O evento terá como anfitrião o produtor Alceu Tornquist, em sua propriedade, localizada em Linha Progresso. Mais do que o início de uma nova etapa da safra, a abertura valoriza quem está na base de toda essa cadeia: o produtor de tabaco e sua família. “São milhares de famílias que trabalham, investem, enfrentam os desafios do clima e do mercado e geram renda, empregos e desenvolvimento para seus municípios. Realizar a Abertura da Colheita dentro de uma propriedade rural também ajuda a mostrar essa realidade e reforça a importância de continuarmos defendendo e valorizando o produtor, para que ele tenha condições de permanecer no campo e ser justamente reconhecido pelo seu trabalho”, destaca o produtor.
O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, salienta que este momento reforça a importância do sistema integrado, que tem na parceria entre produtores e empresas um de seus principais pilares. “É essa relação construída ao longo de décadas, com planejamento, assistência técnica, transferência de conhecimento e segurança para ambas as partes, que contribui para a qualidade e a sustentabilidade da produção de tabaco”, ressalta.
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