O ator britânico Patrick Stewart, conhecido por interpretar o Professor Charles Xavier nos filmes de “X-Men” e o capitão Jean-Luc Picard em “Star Trek”, morreu aos 86 anos. A morte ocorreu na quarta-feira (28), em sua casa, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e foi anunciada pela família nesta quinta-feira (29), nas redes sociais do artista.
Stewart enfrentava a doença de Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Os diagnósticos não haviam sido divulgados publicamente. A informação também foi confirmada pela porta-voz Kelly Bush Novak à Associated Press.
No comunicado, a família informou que o ator morreu sob os cuidados da esposa, a cantora Sunny Ozell, após um breve período de convivência com as doenças. Ele também esteve cercado pelo carinho de familiares e amigos.
A mensagem foi publicada nos perfis oficiais de Stewart no X e no Instagram. Além de recordar sua carreira, a família destacou seu trabalho em defesa dos direitos humanos, das vítimas de violência doméstica e dos refugiados.
Patrick Stewart marcou gerações em “Star Trek” e “X-Men”
Stewart ganhou projeção internacional ao interpretar Jean-Luc Picard em “Star Trek: A Nova Geração”, série que estreou em 1987. A produção teve sete temporadas e 178 episódios, além de quatro filmes. O ator voltou ao personagem décadas depois na série “Star Trek: Picard” (2020-2023).
Em 2000, assumiu o papel do Professor Charles Xavier, fundador da escola para jovens mutantes nos filmes de “X-Men”. Participou da trilogia original, lançada entre 2000 e 2006, e retornou ao personagem em outras produções.
Sua participação em “Logan”, de 2017, marcou a morte do personagem naquela história. Stewart voltou a interpretar Xavier em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”, lançado em 2022.
O ator também integra o elenco anunciado de “Vingadores: Doutor Destino”, produção da Marvel prevista para chegar aos cinemas em 2026.
Do teatro britânico a Hollywood
Nascido em Mirfield, na região de Yorkshire, no norte da Inglaterra, Stewart começou a atuar aos 12 anos, em um grupo amador de teatro.
Ainda adolescente, decorava monólogos de William Shakespeare por interesse próprio. Mais tarde, conseguiu uma bolsa de estudos na Bristol Old Vic Theatre School e iniciou sua carreira profissional.
Stewart integrou a Royal Shakespeare Company durante 14 anos, interpretando personagens de peças como “Henrique IV”, “Macbeth” e “O Mercador de Veneza”.
Também dividiu o palco com Ian McKellen em montagens de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, e “Terra de Ninguém”, de Harold Pinter.
Sua interpretação de “Macbeth” lhe rendeu a única indicação ao prêmio Tony de sua carreira. A montagem estreou na Inglaterra em 2007 e chegou à Broadway no ano seguinte.
Em entrevista à Associated Press, em 2008, Stewart contou que havia esperado quase cinco décadas para interpretar Macbeth, personagem cujos monólogos aprendera aos 14 anos.
A experiência com Shakespeare também influenciou sua atuação como Jean-Luc Picard. Na autobiografia “Making It So”, o ator escreveu que encontrou no teatro clássico uma referência para a postura e a maneira de falar do comandante da nave Enterprise.
Vida pessoal e trabalho humanitário
Stewart cresceu em uma família operária e relatou episódios de violência doméstica praticada pelo pai contra sua mãe. Na vida adulta, passou a apoiar a Refuge, organização britânica de atendimento a vítimas de violência doméstica.
Também atuou em defesa dos refugiados, dos direitos humanos, do atendimento à saúde mental de veteranos e do bem-estar animal.
Em junho de 2010, recebeu o título de cavaleiro da rainha Elizabeth II, passando a ser chamado de Sir Patrick Stewart.
O ator se casou com a cantora Sunny Ozell em 2013. A cerimônia foi conduzida por Ian McKellen, seu colega nos filmes de “X-Men” e amigo de longa data.
Stewart deixa a esposa e dois filhos, Sophia e Daniel.
Na homenagem publicada após sua morte, a família pediu que, em vez de flores, fossem feitas doações ao Johns Hopkins Alzheimer’s Disease Research Center ou à Alzheimer’s Foundation of America, instituições dedicadas à pesquisa e ao apoio relacionado à doença de Alzheimer.
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