A criatividade de crianças e adolescentes assume o comando das telas no Rio de Janeiro durante a 11ª edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC). Com entrada gratuita, o evento ocupa três palcos culturais da capital fluminense — Teatro Municipal Carlos Gomes, Instituto Cervantes e Jardim Botânico — reunindo 68 curtas-metragens concebidos e dirigidos exclusivamente por realizadores de 8 a 17 anos.
Novos talentos transformam paixão precoce em cinema
O protagonismo infantojuvenil não se limita ao público-alvo: ele nasce por trás das câmeras. Um dos concorrentes é Miguel Figueiredo Viglio, de 14 anos, que iniciou sua trajetória audiovisual aos 7 por meio de cursos de animação quadro a quadro. Ele compete com a produção Circo dos Horrores, obra que já acumula troféus em eventos como o Festival do Rio e festivais no Rio Grande do Sul e Minas Gerais, além de seleções em mostras na Itália, Alemanha e Portugal.
Outro participante é Daniel Nini, de 16 anos. Ele começou a produzir filmes aos 10 utilizando a câmera do próprio celular e aplicando noções de edição para dar vida aos primeiros roteiros. Mais tarde, os trabalhos como ator permitiram que ele investisse em equipamentos próprios para seguir no universo cinematográfico.
Programação internacional e debates contemporâneos
A seleção deste ano foi lapidada a partir de 467 inscrições enviadas por realizadores de dez estados brasileiros e 41 países. As obras dividem-se em mostras competitivas segmentadas por faixa etária (Nacional e Internacional Criança, de 8 a 12 anos; e Nacional e Internacional Jovem, de 13 a 17 anos), além de exibições temáticas como a mostra Sustente Sua História e sessões de filmes hispânicos.
As narrativas passeiam por reflexões urgentes da sociedade sob o olhar das novas gerações. Entre ficções, animações e documentários, os filmes debatem temas como saúde mental, inteligência artificial, preconceito e cyberbullying. Questões ecológicas e humanitárias também ganham força, abordando desde conflitos internacionais até a preservação ambiental em territórios indígenas brasileiros.
Avaliação entre pares e intercâmbio cultural
Um dos pontos centrais do festival é o Júri Oficial, integralmente composto por crianças e adolescentes. A dinâmica garante que as criações sejam analisadas diretamente pelos seus pares geracionais, estimulando o pensamento crítico e a formação de plateia qualificada desde a infância.
Idealizado pela educadora e cineasta Daniela Gracindo, o projeto teve origem nas oficinas audiovisuais criadas em 2009 e já percorreu diferentes estados e países. A programação atual conta ainda com um intercâmbio entre jovens brasileiros e da Guiana Francesa, além de workshops voltados para capacitar professores no uso pedagógico do cinema em sala de aula.
As atividades do evento estendem-se também às redes escolares de todo o Brasil pelo circuito educativo virtual, permitindo que estudantes votem para o Júri Popular. O encerramento no Instituto Cervantes contempla a entrega de prêmios e uma homenagem ao ator Gracindo Jr., figura fundamental no incentivo inicial à criação da mostra.
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