A capital da Armênia, Yerevan, reúne representantes de mais de 200 nações a partir desta segunda-feira (16) para a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17). Com programação até o dia 30, o encontro bienal chega com a missão urgente de avaliar a execução do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF), tratado firmado por 196 países que estabelece 23 metas de preservação ecológica a serem atingidas até 2030.
Metas distantes e cobrança por resultados
A abertura dos trabalhos é marcada pelo tom de gravidade imposto pelas Nações Unidas. Em pronunciamento recente sobre o relatório de progresso do GBF, o secretário-geral da entidade, António Guterres, ressaltou que as ações práticas globais ainda estão muito aquém dos acordos assinados, classificando a cúpula em Yerevan como um decisivo momento de prestação de contas.
Apesar de reconhecer avanços, como a estipulação de diretrizes nacionais pela quase totalidade dos países signatários e a adição de 1,3 milhão de quilômetros quadrados (km²) em áreas terrestres e 6 milhões de km² em zonas marinhas sob amparo da lei, o ritmo segue insuficiente. Pelas estimativas atuais, o planeta chegará a 2030 com somente 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos devidamente protegidos, tornando obrigatória a aceleração das iniciativas governamentais.
Impactos bilionários e crise nos modelos econômicos
O atraso no cumprimento das diretrizes internacionais não ameaça apenas a fauna e a flora, mas também a estabilidade socioeconômica mundial. Uma análise elaborada pelo Global Cooperation Institute (GCI), encomendada pelo WWF, adverte que o modelo econômico vigente aprofunda problemas graves como insegurança alimentar, riscos sanitários, estresse hídrico e mudanças climáticas.
O levantamento aponta que os custos ocultos e não contabilizados decorrentes da degradação ambiental variam entre US$ 10 trilhões e US$ 25 trilhões anuais. O estudo também enfatizou a assimetria global: territórios megadiversos acabam arcando com despesas elevadas para resguardar biomas vitais para o equilíbrio de todo o planeta, carecendo de mecanismos eficazes de cooperação financeira e transferência de conhecimento.
Para a liderança do WWF Internacional, agir em favor da natureza fortalece a resiliência ecológica, protege fontes vitais de água e comida e diminui a vulnerabilidade financeira das nações.
Proposta brasileira aposta na conectividade ecológica
Diante desse cenário, a delegação do Brasil assume posição estratégica nas negociações, alavancada por seu imenso patrimônio natural e por soluções consolidadas de manejo e preservação que podem servir de referência internacional.
Corredores verdes e azuis
Uma das principais bandeiras defendidas por especialistas do WWF-Brasil durante os debates é o fortalecimento da conectividade ecológica. A proposta consiste em interligar reservas terrestres, cursos de água doce e bacias marinhas por meio de corredores ecológicos contínuos.
A intenção é formalizar essa metodologia dentro do Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas da convenção, existente desde 2004. Segundo especialistas ambientais, a conservação moderna não pode se limitar a ilhas isoladas de proteção, sendo indispensável restabelecer e integrar paisagens naturais inteiras para assegurar a sobrevivência das espécies e viabilizar o cumprimento dos compromissos climáticos e ecológicos até o final desta década.
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