Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação

Alunas de Recife criam sistema contra fake news e vão à Nasa

Brasil

Com apenas 14 anos, três estudantes do 9º ano de Recife (PE) desenvolveram uma solução tecnológica para conter o avanço da desinformação na internet. A iniciativa de Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, alunas do Colégio e Curso Desafio, garantiu o primeiro lugar no HackaNAV 2026, torneio nacional de inovação promovido pelo Nave a Vela, braço de educação tecnológica da Arco Educação. Como premiação pela conquista, o trio fará uma imersão na sede da Nasa, nos Estados Unidos.

Como funciona a ferramenta Pense Bem

Batizada de Pense Bem, a aplicação foi concebida para atuar de forma preventiva. O usuário insere a postagem planejada antes de publicá-la e o sistema calcula a probabilidade de o material causar impactos negativos ou gerar desinformação em efeito cascata.

Para mensurar o nível de ameaça, o sistema faz um questionário guiado com critérios éticos essenciais:

  • Se a publicação apresenta nudez, cenas íntimas ou conteúdo sexual sem autorização, especialmente de menores de idade;
  • Se houve uso ou edição por ferramentas de inteligência artificial;
  • Se indivíduos reais identificáveis aparecem nas imagens e se autorizaram a veiculação;
  • Se os acontecimentos retratados condizem com a realidade dos fatos.

Após cruzar os dados, o software classifica o risco da postagem e sugere adaptações para evitar a disseminação de dados enganosos que possam prejudicar terceiros física ou psicologicamente.

Desinformação como ameaça global e democrática

O surgimento do projeto reflete uma preocupação internacional crescente. A Unesco já apontou a desinformação como o principal perigo global para os próximos anos, superando temas críticos como terrorismo, crises migratórias e mudanças climáticas.

Para construir a plataforma, as jovens entrevistaram educadores, especialistas e colegas de classe. Durante as pesquisas, identificaram que o compartilhamento indiscriminado de conteúdos manipulados — muitas vezes acelerado pela facilidade de ferramentas de IA — representa riscos sérios para a estabilidade democrática, tanto em períodos eleitorais quanto fora deles.

A experiência também transformou o hábito das próprias criadoras, que passaram a questionar correntes recebidas em aplicativos de mensagens familiares e redes sociais antes de repassar qualquer dado adiante.

Expansão nas escolas e novos projetos

Mesmo com a plataforma já disponível em fase de aprimoramento antes da estreia formal, o trio expande a proposta para o ambiente escolar. O projeto contempla módulos com jogos educativos e treinamentos em educação midiática para conscientizar outros jovens.

A iniciativa não é a primeira das estudantes na área de checagem. Anteriormente, elas criaram o Fato ou Boato, sistema focado na validação de links e notícias suspeitas. Animadas com o reconhecimento e a futura visita à agência espacial norte-americana, Alice e Letícia agora planejam cursar carreiras no setor de tecnologia, enquanto Beatriz pretende direcionar seus estudos para a medicina.

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